quinta-feira, 26 de novembro de 2009

tecnologias online collaboration


As ferramentas e tecnologias de online collaboration (Web Conferencing And Online Collaboration Tools) estão cada vez mais a modelar e dar forma às experiências de comunicação, de aprendizagem, de trabalho e sociais, que iremos poder criar no futuro.

Novos modos de aprendizagem, partilha e contacto com parceiros, membros de equipa e colegas irão substituir completamente as práticas demoradas e aborrecidas de hoje em dia no nosso mundo físico real.



Sem interromper o fluxo de trabalho e centro das atenções dos indivíduos com quem comunicamos, gradualmente estendemos e misturamos as nossas relações pessoais íntimas com as das pessoas e equipas que trabalham a milhares de quilómetros de distância de nós.

Embora possa ter ouvido ou lido sobre estes temas já há algum tempo, poderá não ter tido tempo para investigar melhor, experimentar e testar algumas das tecnologias mais inovadoras e económicas que tornarão numa realidade universal tão revolucionárias transições.

Em associação e com o suporte do Projecto de Pesquisa de Línguas LANCELOT fundado pela Comissão Europeia sob o programa Competência Linguística II do projecto LEONARDO DA VINCI, nos últimos 12 meses foi-me dada a possibilidade de pesquisar e reunir o melhor das ferramentas de online collaboration (Web Conferencing And Online Collaboration Tools) que podem ser utilizadas para melhorar, estender e amplificar o alcance da sua comunicação quando trabalha à distância.

Aqui está a primeira colecção parcial apresentada sob a forma de uns pequenos mini-guias, originalmente criados para facilitadores de língua on-line que precisam de navegar no vasto mar das ferramentas de colaboração e opções tecnologicas agora disponíveis.



Screen Share


Escrita Colaborativa


Anotações em Quadros e Ao Vivo


Apresentações Web


Mensagens Instantâneas


Publicação e Partilha Web On-line


Embora estes guias introdutórios não pretendam ser referências definitivas para os diferentes cenários de aplicações cobertos, poderá achá-las muito úteis em ajudá-lo a identificar mais rapidamente as ferramentas mais apropriadas para as suas necessidades de online collaboration.

Classmate e Lousa Digital


O uso de PCs na educação tem sido um assunto, que envolve questões técnicas e questões pedagógicas. Se bem usado, o PC pode ser uma poderosa ferramenta de aprendizado, oferecendo um ambiente muito mais interativo e interessante, mas se mal usado pode acabar sendo uma distração a mais para os alunos.

Duas vantagens fundamentais em usar computadores é a possibilidade de armazenar um grande número de livros e outros tipos de conteúdo didático em um único aparelho e permitir que as crianças possam pesquisar informações adicionais na web, o que exercita uma qualidade fundamental para qualquer profissional capacitado hoje em dia, que é justamente a habilidade de pesquisar informações.

O Classmate é um mini-notebook voltado para uso na educação. A primeira coisa que chama a atenção é a “capa” de couro sintético que protege o aparelho. Da primeira vez que vi o Classmate em fotos a achei feia e de mau gosto, mas depois de ter o aparelho em mãos vi que ela é bem adequada dentro da proposta do aparelho.

Além de servir como uma camada de proteção e como um “amortecedor” em caso de quedas, a alça de transporte é bastante prática, principalmente do ponto de vista de uma criança que fosse ficar correndo com ele pelos corredores da escola. A alça permite também que você segure o notebook com apenas uma mão, deixando a outra livre para digitar. Isso permite que você o use até mesmo de pé.

Entretanto, é importante lembrar que ele não é destinado ao uso por adultos em primeiro lugar. Se pensarmos em crianças de 7 a 10 anos, que seriam o público primário do aparelho, o teclado acaba sendo bastante satisfatório.

Sem contar também que vamos ter mais uma importantíssima ferramenta em sala de aula, o fato é que a garotada cresceu com a internet e tem toda facilidade do mundo para lidar com novidades tecnológicas. A lousa digital é uma dessas novas ferramentas e cresce o número de escolas que adotam a nova tecnologia.

Sem necessidade de o aluno copiar a matéria passada pelo professor, a lousa digital interativa possibilita aulas mais interessantes e interativas e é uma mídia que inova o tradicional quadro negro.


Com o cérebro do tamanho de um planeta, Marvin, o andróide de O Guia do Mochileiro das Galáxias é um protótipo da Companhia Cibernética Sirius equipado com tecnologia de Personalidade Genuinamente Humana (PGH). Possui uma inteligência 50 mil vezes maior que a de um ser humano, mas é, segundo o próprio, subestimado. Há razões para que Marvin se sinta assim: sua ocupação principal é a de (...digamos) hostess da nave espacial Coração de Ouro; deve receber visitas, fechar e abrir portas, servir e eventualmente enfrentar quaisquer outros tipos de seres que estão, invariavelmente, em maior número ou são, também invariavelmente, maiores e mais fortes que ele. Consta também que foi esquecido num estacionamento por 40 milhões de anos, trabalhando boa parte desse longuíssimo período como guardador de naves espaciais.

Marvin apresenta-se sempre num estado depressivo: desanimado, entre lamentos, cabisbaixo, grosseiro e egocêntrico. Isso explica e des-explica como tornou-se o personagem mais marcante da saga: seus prognósticos pessimistas e sua visão cáustica da existência são responsáveis por algumas das melhores frases dessa brilhantemente insólita história do genial escritor e músico Douglas Adams, já contada como série de rádio, de TV, livros e filme. O robô possui fãs por toda parte – há entre certo grupo (de depressivos?) um verdadeiro culto a este (in)simpático equipamento – e inclusive ele recebeu menção por parte da banda inglesa Radiohead, que gravou em seu álbum mais célebre, o Ok, Computer, uma música chamada “Android Paranoid”. Não estou dizendo isso para agradá-lo, asseguro. Eu, por exemplo, adoro o Mavin, mas ele não irá acreditar, tenho certeza. Sei que ele me detesta. Inclusive não há motivos para se deliciar com suas quotas:



Ler mais: http://blog.uncovering.org/archives/2007/06/marvin_o_androi.html#ixzz0XyB44RTq

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Sobre a Rede de Inovação e Conhecimento

Partilha de conhecimento, comunicação inter-departamental, colaboração, redes sociais, etc.. Mais do que buzzwords, são práticas que se têm de tornar uma realidade organizacional. Cuidar destas áreas possibilita melhorar a sua eficiência, criar novos produtos e serviços, atrair e surpreender clientes. Em suma, apostar na gestão de conhecimento, é uma aposta na longevidade da organização, na satisfação dos seus clientes, colaboradores e parceiros. Não são muitas as organizações que têm reconhecido e aceite a necessidade de investir nestas áreas. As poucas que o têm feito, sentem-se desacompanhadas, sem muita certeza do que fazer e de como o fazer. É para dar resposta a esta falta de suporte e acompanhamento, que surge a Rede de Inovação e Conhecimento. No bom espírito da gestão de conhecimento, a rede beneficiará da experiência e conhecimento dos seus membros, que tendo actividades e objectivos distintos, comungam de uma mesma vontade: identificar a forma mais eficiente e eficáz de gerir conhecimento organizacional. Em conjunto e com o suporte da Knowman, as organizações-membro irão explorar os esforços uns dos outros, procurar resposta às questões que as preocupam, produzir recursos que possam por si ser usados. No fundo, a Rede será, ela própria, um exemplo de gestão de conhecimento: neste caso, inter-organizacional. A Rede de Inovação e Conhecimento suporta a resolução colaborativa de problemas e a partilha de experiências relacionadas com a gestão de conhecimento e informação. Aberta a organizações públicas, privadas e não governamentais, a Rede tem uma orientação prática, baseada nas questões concretas dos seus membros.
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Aprender distância requer disciplina


Liberdade de horário exige organização similar à de cursos presenciais
Por Mariana Bevilacqua

Estudantes de EAD (educação a distância) não perdem tempo com o transporte até a instituição de ensino e podem acompanhar as aulas sem abrir mão do conforto do lar. No entanto, essas facilidades podem prejudicar o aprendizado do aluno caso ele não tenha a disciplina e a concentração necessárias para administrar bem essa liberdade.

"O estudo individual requer disciplina.Uma das maiores dificuldades dos alunos é aprender fora da universidade porque é mais fácil se distrair com outras atividades", observa a coordenadora de cursos a distância do Centro Universitário Senac São Paulo, Zilma Maria Cavalheiro de Carvalho. Ela destaca que os cursos a distância exigem que o estudante se desligue de tudo que possa tirar sua atenção.

Para o coordenador da plataforma de EAD do Cederj (Fundação Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro), Flávio Brito, a disciplina depende do aluno. "Se ele levar o curso a sério se empenhará para não permitir interrupções durante o tempo determinado para estudo", acredita.

Para não se dispersar com outros assuntos, a aluna do curso a distância de Gestão Financeira da UnisulVirtual (Universidade do Sul de Santa Catarina a distância), Patricia Kruel Froner Moreira, desenvolveu a rotina de acessar portais de notícias e checar e-mails antes de começar os estudos. "Dessa forma, quando começo a estudar, não tenho motivo para desviar a atenção do conteúdo da aula", conta ela.

Além da disciplina, o espaço destinado aos estudos é importante para a aprendizagem. "O computador deve ficam em um lugar tranqüilo, com poucas chances de interrupção para que a concentração não seja perdida", aconselha Zilma. "O momento que o estudante está na internet equivale à sala de aula. Se o aluno tem dificuldades de se concentrar em casa, há ainda a opção de ir a um pólo de apoio presencial", sugere Brito.

Tempo de estudo

Brito acredita que a organização é fundamental para o êxito no ensino a distância. "A EAD deve ser encarada da mesma forma que o ensino tradicional. O ideal é dedicar cerca de três horas e meia por dia, tempo que duram, em média, as aulas presenciais", aconselha. Para o coordenador, restringir os estudos a poucos dias da semana leva ao acúmulo de matéria. "Isso pode fazer com que o aluno não consiga acompanhar o ritmo das matérias", alerta. Poliana usa uma hora por dia para se dedicar aos estudos

O tempo usado para acompanhar as aulas on-line, de acordo com Zilma, no entanto, deve ser estipulado por cada um. "Isso muda apenas quando há encontros marcados on-line, em que alunos e professores debatem a matéria e tiram dúvidas em tempo real", declara Zilma. Após as discussões, os alunos podem consultar o áudio do debate, que fica disponível na plataforma da instituição.

Apesar de sugerir certa flexibilidade nas horas dedicadas às aulas, Zilma aconselha o estudo diário. "Para conseguir acompanhar de forma satisfatória todas as matérias, é aconselhável se dedicar ao curso por pelo menos uma hora por dia", diz. Ela afirma não ser necessário entrar na plataforma on-line com a mesma freqüência. "As aulas pedem leituras de material didático e pesquisas. E esses estudos englobam essa uma hora aconselhada", afirmar ela. Zilma lembra, porém, que a plataforma de ensino deve ser acessada com regularidade para acompanhamento de novos tópicos de dúvidas em fóruns ou atividades.

A importância de acessar a plataforma da graduação com regularidade é confirmada pela estudante do curso tecnólogo virtual em Administração Pública da UnisulVirtual, Poliana Morgana Simão. "Termino de estudar e consulto os fóruns do curso para ver as dúvidas de colegas e as respostas dadas pelo professor, além de postar o que não entendi", conta ela. A estudante lembra que os docentes respondem as perguntas em, no máximo, dois dias.

Patrícia criou uma rotina diária de estudos para se organizar. "No começo senti dificuldades porque a EAD não tem horário fixo como em aulas presenciais. Depois, fixei horários para cuidar da casa e de meus filhos e para estudar", explica a estudante, que se dedica à graduação na parte da tarde, quando fica sozinha em casa, depois de ver as notícias do dia e sua caixa de e-mails.

A tática de Poliana difere da de Patricia. "Estudo pelo menos uma hora por dia e, quando acesso o portal do curso, consulto diferentes sites para me manter informada", comenta. Para a estudante de Administração Pública, é preciso ficar com toda a atenção no portal apenas nos momentos de realizar as atividades propostas.

Zilma acredita que essa prática não atrapalha o desenvolvimento. "Mas isso depende do perfil de cada um. Há quem consiga fazer diversas atividades ao mesmo tempo. Existem, no entanto, os que precisam se dedicar a cada uma delas exclusivamente", ressalta. A coordenadora adverte, entretanto, que no momento de estudar os conteúdos teóricos, as demais atividades devem ser deixadas de lado.

Durante a hora destinada ao estudo, Poliana prefere ficar sozinha em seu quarto. "Leio o material didático da faculdade em lugares sem barulho, assim aprendo mais rápido", diz. Já Patricia, além de ler o material em locais silenciosos, também estuda em bancos e filas de espera. "Qualquer lugar que vou e sei que há chances de esperar para ser atendida, levo minhas apostilas", conta.

Fonte: Universia Brasil

Futuro do ensino pede "inundação" de Tecnologia na escola


O futuro do ensino passa por uma "inundação" de novas tecnologias de informação e comunicação mas também por uma escola criativa e inovadora que seja exemplo para a sociedade, defendeu hoje um investigador da Universidade do Minho.

António Osório adiantou à Lusa que "as escolas do presente e do futuro devem recorrer, de forma permanente, aos computadores, mas também às tecnologias verdes, à experimentação científica e ao desporto".

O investigador falava à margem do «Challenges 2009» - IV Conferência Internacional de Tecnologias de Informação (TIC) e Comunicação na Educação, que hoje começou na Universidade do Minho (UMinho), em Braga.

Organizado pelo Centro de Competência da instituição, acolhe 400 investigadores e professores de diferentes graus de ensino, que "partilham e discutem experiências e projectos de inovação com as TIC".

António Osório salientou que "a experiência acumulada pela Universidade no estudo da utilização das tecnologias de informação e comunicação demonstra que as crianças para usar bem os computadores nas escolas".

Referiu-se ao caso da distribuição do "Magalhães" nas escolas básicas, frisando que, embora o processo ainda não esteja concluído pois há crianças que ainda não o receberam, em geral, "tem sido bem utilizado".

"Dizia-se que os computadores iriam dispensar os professores nas escolas, mas hoje sabe-se que o seu aproveitamento integral exige professores mais bem formados", sublinhou.

O docente universitário sublinha que as escolas vão evoluir, ainda mais, na utilização de tecnologias, acentuando que, se tal sucede nos hospitais, em organismos públicos e privados, "a escola não pode ficar de fora".

Diz ter participado em questionários feitos no ensino básico nos quais os alunos dizem que as escolas deveriam ter mais computadores, mais espaços de convívio e de desporto, e pedem que haja "mais gente a sorrir".

"São as próprias crianças que pedem que a escola seja um espaço onde todos se sintam bem", frisou.

António Osório, em conjunto com o docente Bento Duarte Silva acaba de editar um artigo intitulado «As Tecnologias de Informação e Comunicação da Educação na Universidade do Minho» no livro 'Dez Anos de Desafios à Comunidade Educativa'.

A obra, que é apresentada sexta-feira, historia o papel pioneiro da UMinho que classificam como um "campo de referência da tecnologia educativa na sociedade educativa portuguesa".

Recordam que, na década de 70, "muito antes de se conhecerem as potencialidades da informática", se introduziu em todos os cursos de formação de professores do 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico e do Secundário a disciplina de Informática e Aplicações.

A formação em tecnologias de informação e comunicação foi igualmente preocupação na formação de professores do 1º Ciclo e Educadores de Infância desde meados da década de 80.

Num tempo de quase completa ausência de meios informáticos nas escolas, os pioneiros da utilização das TIC na Educação acreditavam na difusão maciça, a médio prazo, dos meios de computação em ambiente escolar.

Bento Silva e António Osório recordam que "o projecto Minerva trouxe para as escolas os primeiros computadores", e, ao mesmo tempo, "foi pioneiro no colocar os meios de telecomunicação ao serviço da partilha de experiências educativas".

Nativos Digitais Transformamforma como ser humano se comunica


Eles são capazes de ver TV, ouvir música, teclar no celular e usar o notebook, tudo ao mesmo tempo. Ou seja, são multitarefas. Adoram experimentar novos aplicativos, têm facilidade com blogs e lidar com múltiplos links, pulando de site em site, sem se perder. Interagem mais uns com os outros; “acessam-se” mutuamente para depois se conhecer pessoalmente. Esta é uma pequena descrição dos Nativos Digitais, termo que define os nascidos depois dos anos 80. Opondo-se a eles estão os Imigrantes Digitais, outra terminologia recente que engloba as pessoas que não nasceram na era digital mas que estão aprendendo a lidar com a tecnologia -ou, em alguns casos, até mesmo se recusando a aceitá-la.

Expressão cunhada em 2007 por Marc Prensky, pensador e desenvolvedor de games, o termo Nativos Digitais está sendo estudado como um fenômeno que pode causar impactos inclusive no mercado de trabalho. Hoje, essa geração representa 50% da população ativa (pessoas de até 25 anos), mas em 2020, com o crescimento demográfico, eles serão 80% da população.

“Se você quer entender a Geração Internet, você precisa entender o futuro. E meu filho frequentemente me lembra que o futuro é agora”. A frase, de autoria de Don Tapscott, autor de Grown up Digital e também do famoso Wikinomics resume bem o novo conflito de gerações. Isso porque a nova geração, também chamada de Y - termo rechaçado pela maioria dos pesquisadores - já se apropriou dos meios digitais e, agora, se comunica e se informa, age e até pensa de forma “diferente”.

Luíza Mitke, hoje com 11 anos, é a típica representante da geração de Nativos. Assim como a maior parte dos seus amigos, ela passeia com naturalidade por redes sociais online, usa MSN, celular, tem email e blog - ou seja, domina a internet. Para Luíza, a rede é apenas mais um meio, não uma assustadora novidade. Ao mesmo tempo, saca tanto de computador que foi a responsável pela inclusão digital da mãe e da avó. Dos meios “analógicos” comuns à geração anterior, só conhece a máquina de escrever, que no entanto nunca chegou a usar. Carteiro, então, ela só viu passar na rua.

"Realmente não sei como mandar uma carta direitinho", diz ela. Luíza faz parte, diz o estudioso do assunto e consultor em Inovação e Tecnologia Volney Faustini, da geração “banhada em bits”, que está promovendo uma mudança radical na forma como o ser humano interage com o mundo. De acordo com Faustini, é possível um imigrante digital conviver em harmonia com a nova geração, mas este nunca vai perder o “sotaque”:

"Como imigrantes digitais, falamos com sotaque. O nativo fala a linguagem digital com naturalidade e pertinência. Ele sabe inclusive ler na tela do computador. Já o imigrante não tem a mesma desenvoltura, a mesma fluência. Não à toa, este ainda imprime emails para ler", diz o estudioso. O especialista Volney Faustini cita uma analogia para explicar como um imigrante digital pode lidar bem (ou não) com a nova geração Web: um estrangeiro que chega no Brasil pode aprender a falar português fluentemente (com sotaque) e se sentir à vontade, “em casa”, ou viver aqui 40 anos e nunca perder o sotaque carregado e continuar se sentindo um peixe fora d´água. Se é possível uma boa convivência? Sim, mas as diferenças vão continuar existindo.

O jornalista Fausto Rêgo, pai de Luíza, é daqueles que se enturmaram, a ponto de ter mais características de nativo digital que de imigrante. "Apesar de ser um “nativo analógico”, fiz bem a transição. Me encantam as possibilidades da tecnologia, a quebra de hierarquias gastas, a capacidade de fazer mais com menos. E isso tudo mesmo me assumindo um sujeito linear e sequencial, que faz uma coisa de cada vez. Minto: até faço, $me incomoda dar conta de várias tarefas ao mesmo tempo. Deve ser bug meu".

Para Faustini, não é bug não, é o uso da tecnologia que faz com que o imigrante se adeque à nova realidade. Ele cita o estudioso Malcolm Gladwell, para quem são necessárias dez mil horas para que qualquer pessoa tenha fluência em qualquer coisa - como idiomas em geral e a linguagem digital em particular: "O nativo está mais pronto para a tecnologia. Estudos indicam que nossos filhos têm plasticidade cerebral diferente da nossa. O que pode explicar que ele seja capaz de fazer muitas coisas ao mesmo tempo, como assistir TV com fone no ouvido e teclando no PC", diz Faustini.

O pensador e especialista em computação Silvio Meira cita o “tecnólogo” inglês Douglas Adams para explicar a geração nativa digital. Disse Adams que “tudo o $existe quando você nasceu é absolutamente normal para você”. "Tenho email há 28 anos. Não sou imigrante, faço parte da tecnologia. A questão não é de idade ou de percepção, e sim de entender a mudança de cenário", diz Silvio. Lembra ele que a tecnologia é rápida demais, e que é necessário correr atrás.

"A cada 18 meses dobra a capacidade de processamento dos micros; a cada 12 meses, a de armazenamento; já a velocidade de transmissão de dados dobra a cada nove meses, enquanto o preço de tudo permanece o mesmo. Na hora em que se percebe isso, é preciso se perguntar: “onde estou?”. Muita gente espera que a tecnologia esteja aí pelo menos por dez anos até se adaptar a ela, como foi com a internet. Aí vem uma geração nova que vai te passar para trás e tomar seu lugar", diz.

Outra que não se encaixa na categoria “imigrante” é Ana Cristina Fiedler, mãe de Bruno, de 10 anos. Embora admita que o filho é mais capaz de lidar com muitas coisas ao mesmo tempo, ela cria para si uma nova categoria: a dos “migrantes pendulares”. "Não diria que sou uma imigrante, mas lidando com a internet a gente aprende todo dia. Talvez eu seja a tradicional migração pendular, que a gente viu nos livros escolares sobre as pessoas que moravam em Niterói e trabalhavam no Rio: vamos e voltamos todos os dias", diz ela.

A internet surgiu na vida de Ana quando ela estava entrando no mercado de trabalho e alterou completamente a forma como ela exercia suas funções. "Isso criou uma janela de oportunidade para quem estava começando. Lembro que, naquele período, muitas vezes expliquei como as coisas funcionavam para chefes. Acho que esse aspecto é o mais interessante da internet: o F5 (tecla de “atualizar” no teclado) eternamente pressionado. Agora, por exemplo, estou tentando me adaptar a essas novas formas de comunicação via redes sociais e microblogs", diz.

Redes que seu filho Bruno já domina e bem. Ele usa celular e internet todo dia, conversa no Orkut e no GTalk com os amigos, usa o Google para pesquisas mas sente falta de uma aproximação maior dos professores com a tecnologia, questão levantada por todos os especialistas. "Coordenadores de escola, educadores e diretores estão apáticos. A escola é teórica, mas o vetor digital, que não está sendo levado em consideração, transformou a sociedade de forma radical. É como afinar o violino no convés do Titanic", diz Faustini.

Na opinião do educador Muniz Sodré, é errado pensar que a interatividade e o “digitalismo” são propriedades da máquina. E é assim que os professores pensam. "Este é um momento polifônico, de vozes que precisam se juntar. Os professores ainda estão num modelo criado no Século XIX, o de prisão e igreja, no qual o professor é um pregador e a interatividade é mínima. Mas a era polifônica obrigada que o ambiente seja interativo. Eles precisam se abrir para as novas tecnologias e as novas formas de pluralidade".

Da Agência O Globo
Foto: Revista Época